O Desânimo Venceu.
Texto de Lucas F. Fleury, estrelado por nós de vez em quando.
"Como é possível que Deus se revele através de devaneios carregados da mais intensa e enlouquecida paixão pelo pecado? Como é possível que Deus se revele através de cada oração hipócrita incapaz de reconhecer que o corpo caído não pode alcançar a sinceridade do amor que habita a alma?
Se nesta manhã, repleta de desânimo, a graça de Deus cair como a chuva, eu quero morrer afogado. Se nesta manhã, repleta de decepção, as misericórdias de Deus emergirem da terra e se fixarem como barras de aço ao meu redor, eu quero morrer nesta prisão.
Porque se por uma vez eu disse "eu vou", por mil vezes eu disse “me perdoa”. Eu não consegui ir até o fim. Mestre, Se por uma vez eu disse "não sou", por um milhão de vezes eu disse "me perdoa". Eu não consegui ser até o fim. Mestre, as contas eu perdi. Mas eis a verdade que apresento diante de Ti todos os dias: eu sou pecador.
É verdade, Mestre. E eu preciso dizer, pois estou desanimado. Tem dias que só consigo me sentir sincero e verdadeiro quando vestido com o traje mais pavoroso e repugnante da vergonha mais insólita e indizível, mais repugnante e terrível. A veste da vergonha (de mim mesmo). Mestre, ainda podes me ver? Às vezes, meus lábios se apressam demais e digo: "Olhe para mim!".
Mas tão logo caio em mim, digo: "Não, por favor, não olhe para mim". Melhor seria se apenas estalasse os seus dedos e me fizesse derreter como cera diante do fogo intenso. Assim eu seria queimado e veria a minha vergonha sendo dissipada e revelando, pouco a pouco, a minha essência: eu sou pecador.
Agora, sem mistério, sem vergonha. Mas ainda desanimado. Ainda sem conseguir ir. Ainda sem conseguir ser. Me diga, Mestre, quantas vezes o único homem que consegui ser foi a negação do homem que deveria ser diante de Ti? Me responda, Mestre, como consegues amar o objeto da Tua própria ira? Ah, Mestre, o teu amor beira à loucura.
Não sou eu a hipocrisia persistente dos infinitos pedidos de perdão já tão fatigados? Não sou eu a alma que anseia e o corpo cheio de lama? Não sou eu a alma que suspira e o corpo que perece na malícia? Não sou eu aquele que foi concebido em pecado e formado em iniquidade?
Quantos dias se passam cobertos de desânimo! Estou cansado de lutar contra os meus pecados. Estou desanimado de tanto perder. Eu os odeio. E odeio muito mais o fato de contrariar, magoar, e desagradar a Pessoa que mais desejo amar, alegrar, e obedecer. Ah, Mestre, como eu gostaria de ir, como eu gostaria de ser. Ir por seus caminhos até o fim. Ser como és até o fim.
Hoje, parece que o desânimo venceu. Mas, quando eu olho bem fundo em teus olhos, percebo que o desânimo não vencerá. É por isso que sei que preciso ir desanimado mesmo. Então, aí vou eu. E vou indo chorando, caindo, levantando. Mas eu vou indo, Mestre amado. Eu vou indo sujo, ferido, fedido e desajeitado. Mas eu vou indo, Mestre amado. Porque sei que me amas enquanto vou! Sei que me amas como sou!
Parece que o desânimo venceu. Mas certamente não vencerá. Porque todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Ah, Mestre, sabe de uma coisa? O meu fardo é o meu amor por ti - doce fardo, de amor tão provocado -, e a minha esperança é o seu amor por mim! E assim eu vou indo. E assim eu vou sendo. Até o final. Nele, "que ama os desanimados".
Bem forte não? O Sangue de Cristo nos transforma em filhos. Não por nossa causa. mas sim por que ao aceitarmos o Seu sacrifício, Deus deixa de enxergar pecadores fétidos e vê Seu Filho, Seu cordeiro sem mancha, mácula ou coisa alguma semelhante. Isso nos livra da condenação.
Enquanto aqui, precisamos conviver com a natureza pecaminosa com a qual nascemos. Temos de lutar para ser conformados á imagem desse Cordeiro que nos salva, todos os dias, e essa provavelmente é a missão mais difícil e frustrante que temos a cumprir. Quase sempre cairemos mais do que andaremos na direção da concretização dessa missão, se tentarmos andar sós, a queda virá com ainda maior recorrência. Você pode ver agora? Precisamos de ajuda. Estaremos perdidos se não a tivermos.
Willian Temple dizia:
“Não adianta me darem uma peça como Hamlet ou O Rei Lear e me mandarem escrever algo semelhante. Shakespeare era capaz, eu não. Também não adianta me mostrarem uma vida como a de Jesus e me mandarem viver de igual modo. Jesus era capaz, eu não. Porém, se o gênio de Shakespeare pudesse entrar e viver em mim, então eu seria capaz de escrever peças como as dele. E se o Espírito Santo puder entrar e habitar em mim, então eu serei capaz de viver uma vida como a de Jesus”.
Sem a ajuda do Seu espírito, não seremos capazes de nada. O que eu quero propor-lhe, é que reconheça a sua insuficiência diante do Rei perfeitamente Santo e implore por Sua ajuda, pra que a sua vida se conforme ao padrão estabelecido por Ele na cruz (que é Cristo), e possa enfim alcançar Sua aprovação, e finalmente viver uma nova vida.

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